Bexiga dolorosa e IA estão entre os destaques da VII Jornada de Dor na Mulher

Programação propiciou atualizações sobre diagnósticos e tratamentos, além de troca de experiências entre especialistas

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No período da tarde, a segunda parte da programação da VII Jornada Dor na Mulher, realizada em 12 de setembro, na Associação Paulista de Medicina, destacou temas como a síndrome da bexiga dolorosa, inteligência artificial na prática clínica, dor neuropática e sarcopenia.

Síndrome da bexiga dolorosa

A professora colaboradora e chefe do grupo de Disfunção Miccional da Disciplina de Urologia da Faculdade de Medicina do ABC (FMABC), Maria Claudia Bicudo, apresentou a palestra “Além da cistite: diagnóstico e manejo da síndrome da bexiga dolorosa”.

A especialista chamou a atenção para a necessidade de diferenciar os fenótipos da síndrome, especialmente os casos associados às úlceras de Hunner, que são lesões inflamatórias na parede da bexiga, que podem causar inflamação e cicatrizes.

Segundo a palestrante, as lesões ulcerativas correspondem a uma parcela pequena dos casos, enquanto a maioria dos pacientes apresenta fenótipos não ulcerativos. “A cistite dolorosa corresponde a 5% dos casos e quando nós identificamos, é raríssimo de avaliarmos, e requer uma conduta mais direcionada do ponto de vista do tratamento. Os outros 95% dos casos são os fenótipos não Hunner e, geralmente, são pacientes mais jovens e mais difíceis de serem tratadas. E neste último caso cabe uma abordagem multidisciplinar”, comentou.

Para Maria Claudia, essa distinção é importante porque interfere diretamente na estratégia terapêutica.

Inteligência artificial

Especialista em Cirurgia Geral e diretor de Previdência e Mutualismo da APM, Antonio Carlos Endrigo enalteceu em sua palestra “Inteligência artificial na prática clínica: aplicações, limites e ética” os cuidados necessários diante da crescente utilização da tecnologia na Medicina.

Entre os destaques, apresentou o potencial da inteligência artificial para aumentar a produtividade, auxiliar na elaboração de materiais e apoiar processos de decisão. Ao mesmo tempo, ressaltou que a tecnologia apresenta limitações e é importante desconfiar dela. “A gente sempre tem que ser crítico, ela nos apoia, mas não tem responsabilidade legal nenhuma”, pontuou.

Uma preocupação apresentada pelo especialista foi em relação à proteção dos dados dos pacientes. Para Endrigo, os profissionais devem ter cuidado especial com informações clínicas e os resultados de exames nas ferramentas de inteligência artificial, sobretudo, em plataformas gratuitas. “Vale reforçar que a responsabilidade pelas decisões tomadas na assistência continua sendo do médico. A inteligência artificial pode atuar como ferramenta de apoio, mas não substitui o médico.”

Dor neuropática

Na palestra “Dor neuropática: reconhecer, diagnosticar e tratar”, o coordenador do Centro de Dor do Departamento de Neurologia do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (HCFMUSP), Gabriel Taricani Kubota, falou sobre a frequência da dor neuropática e os desafios para seu reconhecimento adequado.

Ressaltou que um paciente pode apresentar neuropatia e, simultaneamente, dor musculoesquelética ou outras condições capazes de produzir sintomas dolorosos. “O exemplo da neuropatia diabética ilustra esse desafio, uma vez que pacientes com diabetes podem apresentar dor por diferentes mecanismos, e nem toda dor nos pés, por exemplo, necessariamente corresponde à dor neuropática. A identificação correta do mecanismo é fundamental para orientar o tratamento.”

Sarcopenia

O especialista pela Associação Brasileira de Medicina Física e Reabilitação Caio Gasparotto apresentou o tema “Sarcopenia: diagnóstico, prevenção e tratamento”. De acordo com ele, a sarcopenia é associada ao envelhecimento e, hoje, existe o entendimento de que ela pode acontecer em fases mais precoces da vida. “Ainda hoje a sarcopenia é um conceito muito discutido, mas acredito que a gente esteja caminhando para um consenso mais global”, complementou.

Segundo o médico, o diagnóstico da sarcopenia se dá a partir da avaliação da força muscular, da quantidade e/ou qualidade da massa muscular e do desempenho físico. Por fim, a identificação precoce da doença permite que intervenções aconteçam e evita outros desfechos, como desequilíbrios, quedas, incapacidade funcional e hospitalizações, entre outros.

Texto e fotos: Alessandra Sales