“Poluição do ar” é tema do novo episódio do APMCast

Gilberto Natalini conduziu a entrevista com o patologista Paulo Saldiva

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Na última sexta-feira, 10 de julho, a Associação Paulista de Medicina lançou o segundo episódio da terceira temporada do APMCast. No vídeo, Gilberto Natalini, coordenador da Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da APM, entrevistou o patologista e professor Titular da Faculdade de Medicina da USP Paulo Saldiva, que falou sobre “Poluição do ar”.

“O que vamos conversar aqui é de interesse dos médicos e dos profissionais da Saúde como um todo. Vamos tratar dos impactos na Saúde humana, da degradação ambiental e das mudanças climáticas, que estão causando muitas doenças, inclusive novas, que afetam os nossos pacientes”, sinalizou Natalini.

Problemática
Saldiva explicou que o seu interesse pelas questões climáticas e ambientais surgiu, inicialmente, como paciente. “Eu sou asmático e nasci prematuro. Vivi em um tempo em São Paulo em que a poluição tinha uma concentração até mais alta, já que a cidade ainda tinha indústrias e os veículos emitiam mais poluentes. Mas só vim entender isso depois, na faculdade de Medicina.”

De acordo com o médico, para compreender como a poluição do ar afetava a Saúde dos seres vivos, foram feitos diversos estudos, primeiramente com animais. “Nós percebemos que eles inflamavam, tinham mais câncer, diminuição da fertilidade e os bebês eram de menor peso. Depois, nós conseguimos construir condições de exposição a poluentes mostrando que a pessoa inflama e que esses efeitos passam para a gestação, os fetos são afetados e há uma série de desfechos.”

Além disso, o entrevistado também associou que a poluição de ar está conectada aos mesmos efeitos nocivos causados pelos cigarros – ainda que os riscos sejam em menor escala. “Calculamos que a equivalência por hora em um congestionamento seja, mais ou menos, algo em torno de fumar entre zero a seis cigarros. Então, todos somos fumantes leves, mesmo sem colocar um cigarro na boca. E aí, aqueles que são vulneráveis acabam desenvolvendo doenças graves.”

E a poluição não está atrelada somente ao envelhecimento pulmonar, mas também acelera o envelhecimento cardíaco. Deste modo, Saldiva define que esta é uma pauta que vai além da questão ambiental, relacionada à Saúde e cidadania e dependendo de políticas públicas que contribuam para resolver este problema que é tão complexo.

Alternativas
Segundo o especialista, algumas medidas são fundamentais para resolver essa questão, como, por exemplo, aproximar os empregos das áreas mais afastadas para resolver demandas sobre deslocamento. “Envolve uso e ocupação do solo, zoneamento e tipo de locomoção. Isso engloba uma decisão política, que é entender discordâncias e decidir em nome do bem comum, mas sabendo como isso é difícil.”

O médico salientou que é um dever da Saúde cuidar das doenças, do adoecimento e das vítimas de desastres. “O medo de adoecer é universal e atemporal. A Associação Paulista de Medicina tem um papel grande para ajudar nisso”, complementou. 

Foto: Reprodução vídeo