Vivemos um tempo de transformações rápidas e profundas. A Medicina muda em velocidade impressionante. A tecnologia avança, os modelos de assistência se modificam, surgem novos desafios éticos, econômicos e institucionais. Mas há algo que não pode mudar: o papel do médico como referência de confiança, Ciência, equilíbrio e humanismo.
A força da Associação Paulista de Medicina nunca esteve apenas em sua história — embora tenhamos muito orgulho dela —, mas principalmente na capacidade de reunir pessoas comprometidas com um propósito comum. Somos uma instituição construída pelo trabalho coletivo, pela diversidade de ideias e pela união de lideranças espalhadas por todo o estado de São Paulo.
Cada Regional conhece de perto as necessidades de sua comunidade médica. Cada diretor contribui com experiência, visão e responsabilidade institucional. E é dessa soma de talentos, vivências e esforços que nasce a verdadeira força da APM.
Precisamos fortalecer ainda mais nossa representatividade, aproximar gerações, valorizar o médico em todas as fases da carreira e defender permanentemente condições dignas para o exercício da profissão. Também devemos reafirmar nosso compromisso com a educação médica continuada, com a ética, com a qualidade da assistência e com a defesa intransigente da boa Medicina.
Vivemos desafios importantes: a judicialização crescente, a pressão sobre honorários e remuneração, as mudanças regulatórias, a incorporação da inteligência artificial, o impacto das novas tecnologias e, muitas vezes, a perda gradual da autonomia profissional. Diante disso, nenhuma liderança pode agir isoladamente. Precisamos atuar de maneira articulada, madura e solidária.
A Associação Paulista de Medicina tem tradição, credibilidade e legitimidade para liderar esse processo. Mas instituições não se movem sozinhas. São as pessoas que lhes dão vida. São os nossos diretores e presidentes das Regionais que fazem a APM presente em cada cidade, em cada hospital, em cada comunidade médica.
Quero, portanto, expressar meu profundo reconhecimento pelo trabalho que cada um realiza. Sabemos que a atividade associativa exige dedicação voluntária, tempo, energia e desprendimento. Muitas vezes conciliando responsabilidades profissionais intensas com a missão institucional. Isso merece respeito e gratidão.
A Medicina precisa de lideranças serenas, éticas e comprometidas. Precisa de instituições fortes. Precisa de união.
*Discurso realizado durante a abertura do 8º Encontro de Líderes da Associação Paulista de Medicina

Antonio José Gonçalves
Presidente da APM
CRM-SP 25.374 | RQE-SP 18.049 e 19.162 – Especialista em Cirurgia Geral e de Cabeça e Pescoço
Publicado na edição 756 (Maio/Junho de 2026) da Revista da APM