Nesta sexta-feira, 12 de junho, durante o segundo dia do 4º Congresso Brasileiro de Medicina Geral (CBMG), promovido pela Associação Médica Brasileira, especialistas se reuniram no painel “Inteligência Artificial no Consultório” para discutir como a tecnologia vem transformando a rotina dos profissionais de Saúde.
A mesa foi coordenada pelo cardiologista e integrante da Comissão de Saúde Digital da AMB, Thiago Liguori, que possui experiência em Tecnologia e Inovação em Saúde. Entre os debatedores e especialistas em IA, participaram o médico de família e fundador da Voa Health, Filipe Loures; o médico responsável pela área de Clinical AI & Digital Health da Alice, Cesar Biselli; e o head de IA e cofundador da Sofya, Bruno Dornelles.
Logo no início, Liguori destacou o impacto da inteligência artificial na rotina dos profissionais. Segundo ele, estudos mostraram que os médicos passam atualmente cerca de 50% do tempo de trabalho registrando informações em prontuários. “A IA está conseguindo melhorar a qualidade da documentação clínica, garantindo que as informações sejam registradas de forma adequada e contribuindo para a continuidade do cuidado”, afirmou.
IA nos consultórios
Durante o bate-papo, o coordenador do painel perguntou aos debatedores como eles enxergam o uso da inteligência artificial nos consultórios. Em resposta, Bruno Dornelles explicou que a principal contribuição da tecnologia está no ganho de eficiência na documentação clínica. Segundo ele, as ferramentas de IA vêm reduzindo significativamente o tempo dedicado ao preenchimento de prontuários, permitindo que o médico concentre mais atenção no paciente. “Há uma redução expressiva do tempo gasto com registros. Um fator essencial nesse processo foi a proximidade com os médicos”, ressaltou.
Cesar Biselli acrescentou que vê a inteligência artificial como uma infraestrutura que atravessa toda a operação. Ele descreveu o uso da tecnologia tanto de forma proativa, para orientar o paciente ao canal de atendimento mais adequado e ampliar a adesão a exames preventivos, quanto reativa, sempre com a ressalva de que a ferramenta coordena o cuidado, mas não substitui o ato médico. “Muitas pessoas já organizam previamente as perguntas que pretendem fazer durante a consulta. No entanto, vale ressaltar que a IA é uma ferramenta de apoio e não substituirá o médico”, afirmou.
Outro tema abordado durante o painel foi a responsabilidade pelo uso dessas tecnologias. Diante das recentes normativas do Conselho Federal de Medicina (CFM), os especialistas reforçaram que o profissional permanece corresponsável pelas ferramentas utilizadas na prática médica.
Por fim, Filipe Loures citou a rápida evolução das soluções de inteligência artificial e o valor crescente que elas vêm gerando tanto para os médicos quanto para os serviços de Saúde. “Esse valor tem sido cada vez mais percebido. A gente sabe que desenvolver IA para a área da Saúde é diferente de desenvolver para outros setores. Estamos falando de um ambiente que exige alta precisão, acurácia e comprovação de eficiência”, complementou.
Foto: Arquivo APM