APMCast aborda impactos das mudanças climáticas na Saúde da mulher e do adolescente

Terceiro episódio da terceira temporada traz entrevista com Albertina Duarte

Notícias em destaque

As mudanças climáticas trazem efeitos nocivos à Saúde de toda a população. No caso de mulheres, gestantes e adolescentes, os impactos podem ser ainda mais fortes. Para falar sobre o tema, o novo episódio do APMCast, lançado na última sexta-feira, 24 de julho, recebeu a ginecologista e obstetra e coordenadora do Programa de Saúde do Adolescente na Secretaria de Estado da Saúde de São Paulo, Albertina Duarte.

“Complicações na gravidez são associadas ao calor extremo e poluição, como crises hipertensivas e baixo peso ao nascer. Nascimentos prematuros também têm acontecido com maior incidência durante as ondas de calor, aumentando o risco de morte infantil. Na outra ponta, os adolescentes são outro grupo extremamente vulnerável à catástrofe climática e às incertezas do futuro do Planeta. Por isso, hoje eu converso com a doutora Albertina”, introduziu o apresentador do podcast e diretor de Marketing da Associação Paulista de Medicina, David Alves de Souza Lima.

Albertina explicou que as mulheres são extremamente afetadas por conta dos disruptores endócrinos, contribuindo para o aumento da infertilidade – fenômeno que acontece em todas as classes sociais. “A fertilidade pode, sim, ser alterada pelos herbicidas, pesticidas, substâncias tóxicas e até produtos de limpeza ou de higiene pessoal, que tenham componentes tóxicos. Além disso, também vamos poder ter a síndrome dos ovários policísticos, maior aumento de diabetes, de obesidade, de desregulação hormonal e de câncer de mama, com depressão e ansiedade também relacionados. A mulher é afetada ao longo de toda a sua vida.”

Segundo a médica, casos de mortalidade infantil e partos prematuros também estão associados a problemas socioeconômicos e de saneamento básico. “Nós sabemos, hoje, que a mortalidade infantil reduziu, mas ela ainda é muito alta. Estamos em 12%, enquanto em Portugal é 2,8%, na Finlândia é 2,3% e temos o dobro do número de casos da Argentina e do Chile. Também sabemos que mercúrio e chumbo roubam cálcio, o que está associado ao aumento da hipertensão, sendo esta uma das causas da eclampsia, que vai fazer com que haja a necessidade de interromper a gestação, trazendo mais risco de mortalidade da mãe e do bebê. Além de efeitos congênitos, que nós sabemos que há uma grande associação entre enlatados, corantes e plásticos.”

Conscientização

Para a entrevistada, ainda há um forte desconhecimento em relação ao tema entre os profissionais de Saúde, inclusive os médicos. Ela atribui isso ao fato de as faculdades de Medicina não ensinarem sobre a situação. “Acho que não justifica o fato de a gente dizer que a vida médica é corrida. O conhecimento médico tem que existir sempre. A relação do câncer de mama e do câncer de ovários com pesticidas, por exemplo, ainda é muito desconhecida. É uma área nova e, infelizmente, poucos médicos estão atentos a isso. Mas digo sempre que, atualmente, o grande movimento dentro do SUS é a questão climática.”

Albertina Duarte relembrou que, visando promover a conscientização, recentemente foi realizada uma ação na Casa do Adolescente de Taboão da Serra, em parceria com entidades voltadas à questão do clima, que promoveu o plantio de mais de 5 mil árvores.

“Muitas mães me paravam para falar que fazia horas que o filho não via o celular, porque estavam concentrados com a atividade envolvendo as árvores. Os adolescentes são muito sensíveis a falar sobre o clima, porque eles estão expostos, eles veem, principalmente nas populações mais vulneráveis, o que acontece com os desastres climáticos”, comentou, propondo que o Governo pense em ações que permitam que os jovens possam estar em pleno contato com a natureza, já que isso amplia a percepção no assunto e auxilia com questões voltadas à Saúde mental.

Finalizando a participação, a especialista agradeceu à APM pela iniciativa. “Eu acho que essas atividades, como esse podcast, são um aprendizado. Gostaria que servisse como um estímulo a todas as outras entidades, como a Associação Médica Brasileira, as sociedades de especialidades e o Conselho Federal de Medicina.”

Foto: Divulgação