Novo episódio do APMCast fala sobre “Saúde das crianças e adolescentes”

Entrevistado foi o pediatra e diretor da APM Clóvis Francisco Constantino

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Na última sexta-feira, 7 de agosto, a Associação Paulista de Medicina lançou mais um episódio da terceira temporada do APMCast. O coordenador da Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima da APM, Gilberto Natalini, conduziu a entrevista com o diretor adjunto de Previdência e Mutualismo da entidade, Clóvis Francisco Constantino, em um bate-papo que abordou o tema “Saúde das crianças e adolescentes”.

Constantino relembrou que o embasamento científico comprova que as mudanças climáticas trazem impactos reais para as crianças. “São indivíduos em crescimento e desenvolvimento. Obviamente, quaisquer agressões, inclusive as do meio ambiente, são muito deletérias para a evolução deles.”

Desta maneira, os reflexos da degradação ambiental se manifestam de maneiras distintas nesses pacientes – que acabam sendo ainda mais afetados que adultos. “A superfície corporal de uma criança é proporcionalmente maior do que a do adulto e ela perde muito mais líquidos, pela própria respiração. Por ter uma frequência respiratória mais elevada, em qualquer ambientação mais acalorada, do ponto de vista térmico, isso pode fazer com que as chances de uma criança desidratar sejam muito grandes. É claro que também há uma interferência na própria Saúde mental, tanto das crianças quanto dos pais ao verem os filhos sofrendo com os extremos climáticos.”

O médico também comentou sobre a contaminação ambiental causada por microplásticos, recordando que partículas já foram encontradas na placenta de gestantes e destacando que até mesmo fetos estão sendo agredidos pela poluição. Além do aumento de doenças infecciosas, preveníeis por vacinas, e do fato de o ecossistema estar sendo afetado com queimadas e derrubadas de florestas, contribuindo para que haja a migração de vetores que transmitem doenças.

Trabalho em conjunto

Clóvis Constantino salientou que uma considerável parte da massa crítica dos médicos ainda não está em uníssono sobre as questões climáticas relacionadas à Saúde da população, fazendo com que, consequentemente, não estejam instruídos corretamente para lidar com esta situação.

“Portanto, um grupo de trabalho como este que foi criado aqui na Associação Paulista de Medicina é absolutamente essencial para que nós possamos difundir, disseminar e capilarizar esses conhecimentos. Aliás, há um grupo de trabalho que eu coordeno na Sociedade Brasileira de Pediatria, chamado Grupo de Trabalho Saúde Planetária, em que editamos o documento científico ‘Anamnese Ambiental em Pediatria’, com a intenção de que alertemos os médicos para que, ao entrar em contato com o paciente, façam interrogatórios e a anamnese ambiental, que é analisar as condições ambientais em que a família vive para que, então, tenhamos mais subsídios para hipóteses diagnósticas”, explicou.

Finalizando, o diretor da APM deixou uma mensagem aos colegas: “Eticamente, não podemos nos omitir desta questão ambiental em relação à assistência médica, portanto, esse grupo de trabalho, a Comissão dos Médicos pelo Meio Ambiente e pelo Clima, é fundamental para todos os médicos brasileiros”.

Foto: Reprodução APMCast