APMCast aborda “Resíduos do setor de Saúde” em novo episódio

Vital de Oliveira Ribeiro Filho reforçou a importância da conscientização sobre o tema

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Na última sexta-feira, 4 de setembro, a Associação Paulista de Medicina deu continuidade ao APMCast, lançando mais um episódio da terceira temporada. Desta vez, o tema debatido foi “Resíduos do setor de Saúde” e, para falar sobre o assunto, foi recebido o presidente do Conselho Consultivo do Projeto Hospitais Saudáveis, Vital de Oliveira Ribeiro Filho, que também é arquiteto e urbanista, administrador hospitalar e ocupante de cargo técnico da Divisão de Meio Ambiente da Secretaria de Saúde de São Paulo. A entrevista foi conduzida por David Alves de Souza Lima, diretor de Marketing da APM.

Inicialmente, Ribeiro explicou o que é o Projeto Hospitais Saudáveis. “É uma iniciativa criada em 2008, que reúne mais de 1.500 membros individuais, com a parceria da organização internacional Healthcare without Harm, ou Saúde sem Dano. Em 2012, lançamos a Rede Global de Hospitais Saudáveis que, no Brasil, é representada pelo nosso projeto.”

Para o arquiteto, um dos pontos mais interessantes e satisfatórios do Hospitais Saudáveis é o fato de ser uma organização criada por profissionais da Saúde preocupados com a questão ambiental – exemplo disso é que, por meio da atuação do grupo, foi possível consolidar o movimento de retirada do mercúrio das instituições de Saúde.

“Isso traz uma questão muito importante, que é entendermos que a própria atividade de assistência à Saúde impacta o meio ambiente e o trabalhador. Isso é um termo muito importante, trazer a questão da exposição e as substâncias químicas que hoje você tem em um hospital e o impacto disso para o próprio paciente e para a população”, explicou.

Estruturação
Segundo Vital, o projeto não trabalha apenas com pessoas, mas também com sociedades científicas, ampliando o espaço para que haja atuação não apenas de médicos, mas de profissionais da Saúde como um todo. “A gente converge para esse entendimento de que é importante trazer a questão ambiental para as discussões e a capacidade de mobilizar. Um médico tem um potencial, uma influência e uma credibilidade muito grandes, por isso que é importante o trabalho da APM, de trazê-lo para uma clareza de que isso tem a ver com toda a comunidade, com toda a cidade e com a sua família.”

Em relação à ecoansiedade, o especialista relata que a Saúde mental é uma área muito crítica em relação aos efeitos das mudanças climáticas, ficando associada a outras crises, como conflitos mundiais, fome, pressão econômica e empobrecimento. Algo que, como define, “é completamente contraditório com a trajetória de tecnologia e capacidade que estamos vivenciando.”

“Existe muita pressão, fenômenos de Saúde mental são parte importante desse cenário. Ansiedade climática é a pessoa, ao ter contato com a informação, ao participar dessa discussão, se sentir incapaz de lidar com um problema tão grande. Outra coisa que motiva muito a ansiedade climática é a perspectiva de que por mais que eu faça alguma coisa, não vou conseguir resolver ou não estou sendo ouvido”, refletiu.

Experiências
O entrevistado relembrou momentos desafiadores neste sentido, citando a pandemia de coronavírus, em que o seu trabalho esteve diretamente ligado à área de controle de infecção, qualidade e perspectiva do paciente dentro do ambiente hospitalar. Para ele, a Covid-19 trouxe um legado que mostrou a resiliência do sistema de Saúde e a capacidade de mobilização.

“Na Covid-19, também tivemos dificuldade de estabelecer a base científica para a ação, mas o lado positivo é que a gente desenvolveu vacina em tempo recorde. É um exemplo de que quando se tem um objetivo claro, se mobiliza recursos. Aproveitando para fazer um paralelo com a crise climática, por exemplo, foi essencial na Covid-19 a capacidade de injetar recursos na Economia para suprir quem parou de trabalhar e de mobilizar rapidamente uma política pública que paralisasse o fluxo nos sistemas de transporte para evitar a disseminação. Por isso, durante a pandemia, tivemos os melhores índices de qualidade do ar e uma redução significativa das emissões de gases de efeito estufa”, expôs.

Vital salientou que atuar sobre determinantes sociais, econômicos e ambientais da Saúde – que é o caso da mudança climática – é muito mais complexo que atuar sobre uma doença em si, aproveitando também a ocasião para agradecer a oportunidade e relembrar a sua relação de parceria com a APM.

“Tenho uma relação muito pessoal com a APM e acho o trabalho de vocês sensacional. O médico que estiver nos ouvindo, os outros profissionais de Saúde ou o público em geral devem, de fato, valorizar muito isso e refletir sobre. Convido todos a conhecerem o Projeto Hospitais Saudáveis, nós temos uma série de atividades ao longo do ano e assim seguimos juntos”, concluiu.

Foto: Reprodução APMCast